Se tem um assunto que me dá arrepio é assédio sexual. Outro dia passou pela minha timeline um post do @think_olga e lembrei da hashtag #meuprimeiroassedio, onde mulheres relatavam seu primeiro assédio como uma forma de dar suporte a outras mulheres vítimas. Sempre que a gente se vê no outro a gente tem mais coragem e é alarmante a quantidade de mulheres que já viveu (vivem e infelizmente viverão) abuso.

Meu primeiro assédio foi aos 19 anos. Muito mais tarde que a média brasileira. Eu estava indo de Curitiba a Erechim de ônibus durante a noite. 8 horas de viagem. Meu assento era o da janela. Quando entrei no ônibus já havia um cara sentado no banco do corredor. Me acomodei na minha poltrona e o cara puxou assunto. Era uma senhor de uns 60 anos, óculos fundo de garrafa e aparelho nos dentes. Falamos qualquer besteira. Viagem começou e algumas horas depois eu adormeci. Acordei com a mão do cara entre minhas pernas. Peguei a mão dele e joguei pra longe. Paralisei. Meu corpo enformigou. Levantei e olhei pra ver se havia alguma poltrona vazia e nada. Chegou a hora da parada e eu fui falar com o motorista e relatei o que tinha acontecido, haviam outras pessoas que escutaram o que eu falei e parecia que eu estava falando grego. Sabe a cena do filme que a personagem fica zonza, ninguém ajuda e ela acha que tá ficando doida? Depois da parada liberou uma poltrona e eu sai de perto do cara. Depois que a paralisação passa você imagina as 55 reações que poderia ter tido. Por que eu não gritei? Por que eu não tinha uma tesoura naquele momento pra fincar na mão do cara?  Isso foi em 2003, há 15 anos não se falava tanto sobre assédio como hoje. Por mais que existam diferentes tipos de assédio dentro do assédio o NOSSO NÍVEL de tolerância deve ser zero. NAO PODE. Temos que nos amparar umas as outras.

 Há 15 anos o que eu recebi foi total conivência com um abusador, total desamparo. Ninguém falava disso abertamente, eu nem imagina que podia acontecer assim dessa forma. Naquela época eu achava que assédio sexual era quando um estuprador saia correndo atrás de ti de madrugada na cidade deserta ou no meio do mato. Não gente, não é assim. Depois dessa vivi outras histórias. Anos mais tarde peguei carona da balada com um conhecido da galera e quase estive a ponto de me jogar do carro porque o cara que me deu carona resolveu que não ia me levar pra casa. Mas ele estava só de "brincadeira",  foi o que eu ouvi quando relatei, afinal "eu não estava ali pra contar a história?". A gente é obrigada a aprender se defender.  A gente se vê obrigada a endurecer. Tem tantas formas de assédio que eu nem sou capaz de enumerar. Eu não tenho vergonha de contar essa história. Fui outra vitima de uma sociedade que vê a mulher como objeto, que acha que o corpo da mulher é propriedade pública. Vivemos em uma sociedade machista doente. 

A campanha Chega de Fiu Fiu divulgou um estudo online com 7.762 participantes, na qual 99,6% afirmou já terem sido assediadas. GENTE 99%. Isso quer dizer que provavelmente 99% de vocês que vão ler esse post também já sofreram assédio. O FEMINISMO precisa existir. EMPODERAMENTO precisa existir. SORORIDADE tem que existir. Acredito muito que a coragem de uma mulher é o combustível pra coragem de outra. NAO BANALIZE A HISTORIA DE NINGUÉM. Abusadores não passarão, machistas não passarão. VAMOS JUNTAS! Eu me importo!

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#chegadefiufiu #thinkolga #conexoesquesalvam

 

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